Um vício meu é nevegar no Flickr, ir pulando pelas comunidades, decobrindo novas fotos, novos colegas e tendo idéias. É uma ótima maneira de fazer amigos e manter contatos profissionais.
Mas volta e meia eu esbarro em umas figuras que olha, vou te contar.
Eis que eu estava navegando agora mesmo, nesse minuto, e achei um cara tão especial que não pude resistir, trouxe ele aqui para o blog.
O nome da figura é "Amostrado", ele é brasileiro e tem um sonho: conhecer uma gringa (casar e ir embora daqui, provavelmente). Então ele fez um flickr de auto-retratos e recadinhos em inglês, sempre direcionados para as "lady friends" e um site óoootemo, oferecendo estadia para qualquer gata na casa dele, ou como ele escreveu:
"Special notice for the all ladies friends:
If you want to come to Brazil, contact me.
I have a house to host, a car to travel.
She can stay hosted in my horse."
Imagine agora uma gringa lendo isso e se imaginando hospedada no cavalo dele.
Minhas fotos favoritas:
auto retrato com grande chapéu
auto retrato em pé numa cadeira
quinta-feira, 27 de setembro de 2007
domingo, 23 de setembro de 2007
Generosidade

Na esquina da Ipiranda com a Santana, a uma quadra aqui de casa, mais um ipê florido. A primavera está arrasando esse ano.
Ao me aproximar para fotografar sinto o fedor da água podre e poluída do rio que passa embaixo da árvore. Na outra margem, uma tenda mal armada com lixo abriga humanos desabrigados.
Olho para a árvore e sinto vergonha de suas flores. As flores olham para mim. Como pode uma árvore que cresceu vendo o rio que a alimenta ser destruído, vendo humanos permitindo que outros humanos vivam como animais, ao lado dos meninos que pedem dinheiro no farol, ainda assim, como pode essa árvore ainda ter suficientemente amor em si para querer se cobrir de flores para encher os nossos olhos.
A mãe natureza só dá, nunca pede nada em troca.
Fiz minhas fotos e saí dali corada, sem retribuir em nada.
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sexta-feira, 21 de setembro de 2007
20 de Setembro
No dia 20 de setembro é lembrada aqui no RS a Revolução Farroupilha, que durou de 1835 a 1845 e resultou na República Rio-Grandense.
O feriado é marcado por desfiles militares e tradicionalistas, e os gaúchos vêm de vários pontos do estado e do país para acampar por até um mês antes no Parque da Harmonia, aguardando o grande dia.
Eis que no tal grande dia eu estava lá com a minha amiga Priscila Sanfelice, pronta para fotografar. Esse ano o desfile mudou de lugar e eu acabei estacionando o carro um pouco longe demais.
A caminhada de aproximadamente 1km valeu a pena, pois a governadora Yeda Crusius resolveu trocar o carro oficial pelo carro de época em que chegaria ao desfile bem na nossa frente, o que rendeu boas fotos.
Infelizmente essas foram algumas das poucas fotos que eu consegui fazer antes da chuva. Assim que chegamos no local recebemos da organização do evento duas capas de chuva de ótima qualidade, grossas e compridas (lembrei da minha mãe, que adora capas de chuva, mas essa é outra história). O céu escurecia cada vez mais, e o nosso passe de imprensa para fotografar na pista parecia cada vez menos utilizável.
Logo os pingos começaram. Tentamos sem sucesso sensibilizar alguém para a minha situação: enquanto outros fotógrafos estavam trabalhando em plena chuva com equipamentos das empresas de quem era contratados, eu estava ali com o meu próprio. Se não conseguisse um lugar seco não poderia fazer minhas fotos. A chuva agora engrossava cada vez mais.
Por sorte e pela habilidade da Priscila como relações públicas, conseguimos ser recebidas pelo simpático pessoal das Lojas Colombo.
Assistimos ao desfile do maravilhoso camarote da empresa, com direito a lanche e tudo.
Em um raro momento entre torós, consegui ir até a pista e captar alguns ângulos diferentes. Mas na maior parte do tempo choveu tanto que até mesmo no camarote mantivemos nossas capas, dado que a chuva vinha de lado, com o vento.
A Priscila é fã do secretário de turismo Luis Augusto Lara, e não se conteve nos gritos de "lindo" quando este passou a cavalo, balançando os cabelos e piscando os olhos azuis. A empolgação da minha amiga foi tanta que: 1- atraiu olhares curiosos para mim, dado que ela estava meio escondida atras de mim enquanto gritava, 2- conquistou a solidariedade dos nossos amigos das Lojas Colombo, que ajudaram a chamar o secretário quando ele passou de novo, fazendo o mesmo posar para nossas fotos.
A fama da Priscila cresceu de tal maneira que mais tarde um desconhecido veio nos chamar a caráter de urgência, pois ele tinha visto o secretário nos fundos dos camarotes. Corremos lá e eu consegui fazer uma linda foto da Priscila de capa de chuva e do seu caveleiro.
Na hora de voltar para o carro ainda chovia em ritmo de dilúvio, e as pessoas começaram a nos cercar com caras ganaciosas, olhando nossas capas. Um senhor, que concluirmos ser um industrial da região, ofereceu para a Prisicila 150 reais pela capa dela, mas ela recusou, achando que era brincadeira. Talvez não fosse, talvez eu devesse ter oferecido a minha. Combinando com a capa nós colocamos dois chapeuzinhos de gaúcho tamanho infantil que também estavam sendo distribuídos, para evitar a chuva no rosto. Voltamos caminhando uma parte do 1km por trás das arquibancadas, para poupar os patriotas que resistiam à chuva da visão ridícula de nós duas.
Só desistimos quando se tornou impossível prosseguir no mato e lama mole que nos pintavam de barro até os joelhos. Saímos então, gloriosas, vindas do meio do pântano, de capa e chapeuzinho, para espanto dos passantes. Ouvimos 1km de piadinhas, mas o carro estava lá. Pronto para me trair. Mas isso eu conto depois.
*fim da primeira parte do meu feriado de 20 de setembro.
O feriado é marcado por desfiles militares e tradicionalistas, e os gaúchos vêm de vários pontos do estado e do país para acampar por até um mês antes no Parque da Harmonia, aguardando o grande dia.
Eis que no tal grande dia eu estava lá com a minha amiga Priscila Sanfelice, pronta para fotografar. Esse ano o desfile mudou de lugar e eu acabei estacionando o carro um pouco longe demais.
A caminhada de aproximadamente 1km valeu a pena, pois a governadora Yeda Crusius resolveu trocar o carro oficial pelo carro de época em que chegaria ao desfile bem na nossa frente, o que rendeu boas fotos.Infelizmente essas foram algumas das poucas fotos que eu consegui fazer antes da chuva. Assim que chegamos no local recebemos da organização do evento duas capas de chuva de ótima qualidade, grossas e compridas (lembrei da minha mãe, que adora capas de chuva, mas essa é outra história). O céu escurecia cada vez mais, e o nosso passe de imprensa para fotografar na pista parecia cada vez menos utilizável.
Logo os pingos começaram. Tentamos sem sucesso sensibilizar alguém para a minha situação: enquanto outros fotógrafos estavam trabalhando em plena chuva com equipamentos das empresas de quem era contratados, eu estava ali com o meu próprio. Se não conseguisse um lugar seco não poderia fazer minhas fotos. A chuva agora engrossava cada vez mais.
Por sorte e pela habilidade da Priscila como relações públicas, conseguimos ser recebidas pelo simpático pessoal das Lojas Colombo.
Assistimos ao desfile do maravilhoso camarote da empresa, com direito a lanche e tudo.
Em um raro momento entre torós, consegui ir até a pista e captar alguns ângulos diferentes. Mas na maior parte do tempo choveu tanto que até mesmo no camarote mantivemos nossas capas, dado que a chuva vinha de lado, com o vento.
A Priscila é fã do secretário de turismo Luis Augusto Lara, e não se conteve nos gritos de "lindo" quando este passou a cavalo, balançando os cabelos e piscando os olhos azuis. A empolgação da minha amiga foi tanta que: 1- atraiu olhares curiosos para mim, dado que ela estava meio escondida atras de mim enquanto gritava, 2- conquistou a solidariedade dos nossos amigos das Lojas Colombo, que ajudaram a chamar o secretário quando ele passou de novo, fazendo o mesmo posar para nossas fotos.
A fama da Priscila cresceu de tal maneira que mais tarde um desconhecido veio nos chamar a caráter de urgência, pois ele tinha visto o secretário nos fundos dos camarotes. Corremos lá e eu consegui fazer uma linda foto da Priscila de capa de chuva e do seu caveleiro.Na hora de voltar para o carro ainda chovia em ritmo de dilúvio, e as pessoas começaram a nos cercar com caras ganaciosas, olhando nossas capas. Um senhor, que concluirmos ser um industrial da região, ofereceu para a Prisicila 150 reais pela capa dela, mas ela recusou, achando que era brincadeira. Talvez não fosse, talvez eu devesse ter oferecido a minha. Combinando com a capa nós colocamos dois chapeuzinhos de gaúcho tamanho infantil que também estavam sendo distribuídos, para evitar a chuva no rosto. Voltamos caminhando uma parte do 1km por trás das arquibancadas, para poupar os patriotas que resistiam à chuva da visão ridícula de nós duas.
Só desistimos quando se tornou impossível prosseguir no mato e lama mole que nos pintavam de barro até os joelhos. Saímos então, gloriosas, vindas do meio do pântano, de capa e chapeuzinho, para espanto dos passantes. Ouvimos 1km de piadinhas, mas o carro estava lá. Pronto para me trair. Mas isso eu conto depois.
*fim da primeira parte do meu feriado de 20 de setembro.
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Andando armada

É primavera em Porto Alegre e eu decidi levar a minha cêmera para passear. Eu sempre levo uma compacta comigo, uma Sony W50 que dá muito bem para o gasto, mas dessa vez achei que as flores mereciam mais.
E saí para os meus afazeres, reuniões com clientes, coisa e tal, carregando meu bebê e duas lentes. Claro que eu fico um pouco tensa de andar sozinha com ela pelas ruas e pelos ônibus, mas vale só por poder parar tudo ao ver uma árvore carregada, e ficar alguns minutos no meio da tarde buscando ângulos divertidos.
Isso é felicidade.
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quarta-feira, 12 de setembro de 2007
Foto de evento
Já foi-se o tempo em que as pessoas tinham albuns de casamento, formatura, 15 anos e afins com fotos posadinhas, todos durinhos olhando para a câmera.
Claro, as fotos posadas ainda existem, mas somente como registro de quem esteve no lugar.
A verdadeira arte é feita por fotos inesperadas, espontâneas, imagens que contam uma história.
Esse tipo de fotografia é ao mesmo tempo, estressante e gratificante de se fazer. Claro que é muito mais fácil montar um fundo, pedir para os convidados da festa fazerem fila e só ir clicando uma foto igual atrás da outra. Para buscar um momento interessante é necessário tirar muito mais fotos
(aumentando o desgaste do equipamento), se preocupar o tempo todo com a luz (que geralmente varia ao longo do salão) e ainda assim correr o risco de, no momento perfeito, a pessoa piscar, fazer uma careta, tapar o rosto.
E aí não tem como refazer, ao contrário da foto posadinha.
Mas quando a foto sai legal, quando a história fica registrada, quando o ângulo fica diferente, o olhar do profissional se destaca, aí não tem nada igual. Para sempre o cliente vai olhar e lembrar da emoção daquele segundo.
E o fotógrafo vai poder ir para casa com a satisfação de ter feito um bom trabalho, de ter colocado a sua marca nas fotos, de não ter sido só mais um.

Claro, as fotos posadas ainda existem, mas somente como registro de quem esteve no lugar.
A verdadeira arte é feita por fotos inesperadas, espontâneas, imagens que contam uma história.Esse tipo de fotografia é ao mesmo tempo, estressante e gratificante de se fazer. Claro que é muito mais fácil montar um fundo, pedir para os convidados da festa fazerem fila e só ir clicando uma foto igual atrás da outra. Para buscar um momento interessante é necessário tirar muito mais fotos
(aumentando o desgaste do equipamento), se preocupar o tempo todo com a luz (que geralmente varia ao longo do salão) e ainda assim correr o risco de, no momento perfeito, a pessoa piscar, fazer uma careta, tapar o rosto.
E aí não tem como refazer, ao contrário da foto posadinha.
Mas quando a foto sai legal, quando a história fica registrada, quando o ângulo fica diferente, o olhar do profissional se destaca, aí não tem nada igual. Para sempre o cliente vai olhar e lembrar da emoção daquele segundo.
E o fotógrafo vai poder ir para casa com a satisfação de ter feito um bom trabalho, de ter colocado a sua marca nas fotos, de não ter sido só mais um.
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sexta-feira, 7 de setembro de 2007
Redimensionamento consciente
Imagine um algoritmo que permita que o texto de uma janela se distribua automaticamente à medida em que você muda o tamanho da janela. Fácil né?
Agora imagine um algoritmo que redimensione uma imagem à medida em que você mude o tamanho da janela onde ela está. Mas não simplesmente aumente ou diminua proporcionalmente, muito menos esticando ou deformando a mesma.
O Dr. Ariel Shamir desenvolveu, como parte de sua tese de doutorado, um algoritmo que permite identificar as partes mais importantes e as menos importantes (que possuem menos informação) de uma imagem. Assim quando se redimensiona uma foto, as partes menos importantes se encolhem e as mais importantes se mantêm iguais.
É fantástico!
Ainda é possível marcar manualmente os pedaços que não se deseja que mudem de proporção (como rostos) ou as partes que devem desaparecer primeiro. No fim do vídeo abaixo aparece uma demonstração onde é possível fazer uma pessoa sumir da foto quando a mesma é encolhida.
Assista ao vídeo e imagine as possibilidades.
Dizem por aí que o Dr. Shamir foi contratado pela Adobe (que é dona de, entre outros programas gráficos, o Photoshop).
Agora imagine um algoritmo que redimensione uma imagem à medida em que você mude o tamanho da janela onde ela está. Mas não simplesmente aumente ou diminua proporcionalmente, muito menos esticando ou deformando a mesma.
O Dr. Ariel Shamir desenvolveu, como parte de sua tese de doutorado, um algoritmo que permite identificar as partes mais importantes e as menos importantes (que possuem menos informação) de uma imagem. Assim quando se redimensiona uma foto, as partes menos importantes se encolhem e as mais importantes se mantêm iguais.
É fantástico!
Ainda é possível marcar manualmente os pedaços que não se deseja que mudem de proporção (como rostos) ou as partes que devem desaparecer primeiro. No fim do vídeo abaixo aparece uma demonstração onde é possível fazer uma pessoa sumir da foto quando a mesma é encolhida.
Assista ao vídeo e imagine as possibilidades.
Dizem por aí que o Dr. Shamir foi contratado pela Adobe (que é dona de, entre outros programas gráficos, o Photoshop).
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curiosidades fotográficas
segunda-feira, 3 de setembro de 2007
Um presente

Fotografar aqui no sul de Santa Catarina é legal por toda a diversidade de ambientes: da praia à serra é um pulo.
Nesse sábado fui fotografar meu amigo Thomas no pé da serra, às margens de um rio. As fotos ficaram interessantes e o dia foi divertido. Para encerrar a sessão paramos no caminho de casa na cidade de Nova Veneza e subimos um morro procurando mais lugares interessantes. Uma cerca de taipa, ovelhas, uma antiga casa de madeira.
Estávamos na frente da casa quando um senhor veio puxar papo, contar que a casa era do pai dele, e que ele mora na bonita casa do outro lado da rua. Como todo bom italiano, perguntou qual era a nossa família. E acabou descobrindo que o Thomas é neto de um grande amigo dele. Logo se descobriram os dois dentistas e, usando da hospitalidade italiana, o senhor roubou o meu modelo para lhe mostrar antigas fotos de falília onde o avô dele aparecia.
Eu preferi aproveitar o glorioso fim de tarde para fazer algumas fotos da paisagem, mas fui brindada com um presente melhor: um menino curioso e sua cadela fotogência. Ele puxou conversa comigo e com a minha irmã - que também é minha assistente.
Quis saber por que eu estava fotografando, de onde nós éramos. Mostrou o cachorro, mostrou o outro cachorro, mostrou as flores, a bicicleta, o balanço de pneu, o antigo consultório dentário do bisavô. O resto da família chegou do mercado e eu expliquei que estava ali com o menino porque o avô tinha sequestrado meu amigo.
Eles riram e nos convidaram para is buscar o Thomas dentro de casa, mas, ao invés disso, perguntaram qual era a nossa família, nos mostraram a vista da casa, mostraram a gata, mais flores, me deram água. Tentaram lembrar se conhecem a minha família, e, não conseguindo lembrar, acharam alguém que garantiram, é primo distante meu.
Contaram a história da família, perguntaram a minha e falavam de gente que eu não conheço como se fossem meus vizinhos, acostumados que estão a viver em uma cidade onde todo mundo é vizinho. Foi com muito esforço e um aperto no coração que me despedi e recusamos a proposta de café colonial.
Antes de ir embora o senhor aquele me mostrou uma pomba que ele achou machucada e está cuidando, dois anus que ele pegou de um amigo para soltar de volta na natureza, framboesas, jaboticabas e uma ovelha que come na mão dele.
Quando finalmente conseguimos terminar o assunto e ir embora, o carro andava e ele andava do lado contando uma história sobre o avô do Thomas e uma gaita.
Tudo isso porque nós paramos na frente da casa deles para tirar uma foto.
Adoro famílias italianas. Famílias italianas que adoram ser enormes e tentam arrebanhar estranhos para ao seu seio. Agora prometemos voltar para mostrar as fotos e para eles nos mostrarem mais maravilhas da região.
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