segunda-feira, 8 de outubro de 2007

A beleza de experimentar

As vezes eu preciso de idéias e elas se escondem. O processo criativo se torna um parto, e, para chegar em um resultado interessante, são horas de suor.

Outras vezes, a idéia aparece quando menos se espera. Nesses momentos o importante é ter amigos que confiem mesmo no meu talento e topem pagar uns micos meio duvidosos, sem ter certeza de como vai ficar o resultado.

De vez em quando eu estou fotografando e vejo que o meu modelo não está se sentindo muito confiante quanto à pose, o lugar ou a produção, e a única coisa que eu posso dizer é "confia em mim, vai ficar show".

Vou dar dois exemplos:

Um dia eu estava na casa dos meus pais, em Criciúma SC, e a minha irmã Márcia voltou de uma festa com aquelas pulseiras que brilham no escuro. Pequei uma e fiquei olhando.

Minha mente começou a fervilhar de idéias e no dia seguinte saí às compras. Com uma sacola de brinquedos luminosos liguei para a Taís e convidei ela pra me visitar. Eu planejava levar ela pra rua, mas tava tão frio que acabamos ficando no quarto dos meus pais. Ela passou algumas horas imóvel enquanto a Márcia chacoalhava luzinhas em volta dela. Vai dizer que isso não é confiança?

Noutra vez, saí do ônibus e achei cartazes incríveis, escrito "onde está o amor?" colados em um tapume de madeira. Saí desesperada e pedi pra minha amiga Vera ligar para a sobrinha dela, a Ruth Helena. Tinha que ser em caráter de urgência, porque os cartazes não iam ficar ali por muito tempo. No dia seguinte, a Vera - que é dona de salão - fez cabelo e make da Ruth e saímos para fazer as fotos.

Eu tinha tido uma reunião e só consegui chegar aqui no fim da tarde. Fiquei com medo de não conseguir as fotos, mas ganhei de brinde um por do sol fantástico. Aproveitei os cartazes e o céu pra fazer uma coisa meio anos 80 e amei o resultado.

Veja mais fotos da Taís e da Ruth Helena.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Pitangas

Eis que eu vinha do centro, recém descida do ônibus, carregando bolsas e sacolas. E passo embaixo em uma pitangueira. Espiei como quem não quer nada e ela estava carregada, pitanguinhas madurinhas, vermelho vivo, ao alcance da mão.

Parei. Olhei pra um lado, olhei pro outro e peguei a frutinha. Mas sabe como é, uma coisa leva a outra e logo eu estava embrenhada na árvore-moita, com sacolas e tudo.

Logo me veio na cabeça aquela marchinha de carnaval: "laranja madura, na beira da estrada, ou tá bichada, meu bem, ou tem marimbondo no pé".

Enquanto eu estava ali me empanturrando passaram várias pessoas. Um senhor parou, olhou pra trás, mas não voltou. Acho que ficou com vergonha. deu uma espiada na outra árvore, mas ela estava vazia. Um cara veio e perguntou se já tinha pitangas (quase respondi "não, eu to só me escondendo aqui") e eu estendi pra ele uma mão cheia de frutas pra ele se servir. Outro passou e so perguntou se tinha frutas, não quis nenhuma.

Mas a mais bonitinha foi uma velhinha (sempre as velhinhas!) que chegou sorrateiramente atrás de mim e perguntou num grito: já tem pitanga?!?!? O susto foi tão grande que quase derrubei os butiá do bolso. Quer dizer, as pitangas. Peguei uma pra ela e ela não queria aceitar, queria que eu comesse, mesmo eu dizendo que já tinha comido umas 20. Ela contou que quando era criança comia muito, disse que não tem nada igual a esse gosto, aceitou mais uma. Quando eu quis oferecer a terceira ela saiu correndo rindo e dizendo: não não, come tu, tu que tem que comer!

Por isso eu gosto de Porto Alegre. Uma capital onde a 10 minutos do centro tu consegue parar para comer frutas do pé.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Nerve.com

Esse post é relacionado com o anterior (Kate and Camila) porque nesse site, o Nerve.com, é onde as fotógrafas ganharam notoriedade, atrás do blog delas. O Nerve é uma mistura interessante de portal, comunidade de blogs e TV.

Os integrantes publicam reportagens, contos, entrevistas, fotografias, vídeos e o que mais for possível imaginar, tudo bem moderninho e descolado, com um layout fofo.

O que me interessa nessa história:

O Nerve tem um concurso fotográfico permanente, sempre com diferentes temas e 500 dólares de prêmio para o vencedor do mês. Para participar, basta fazer um cadastro no site e observar o tema do mes. Cada pessoa pode enviar até três fotos. Os temas são sempre fotografia de gente, e a foto vencedora é a mais sexy.

O tema atual é "a foto mais sexy de alguém fazendo careta".

Kate and Camila

Elas são duas fotógrafas que têm um estúdio no Brooklin e um estilo bem particular.
O trabalho delas é sempre cru, brincando com o grotesco.

Eu ouvi falar delas pela primeira vez em uma reportagem onde elas contavam que um dia colocaram um anuncio no jornal que dizia: fotografamos QUALQUER COISA. A partir daí, começaram a surgir pedidos bizarros de homens que queria fotografar seus fetiches. Elas até tentaram fazer de uma forma romântica, caprichar na luz e tal, mas o que mais agradava eram as fotos cruas, com a luz simpes e sem nenhum disfarce para as eventuais imperfeições nos corpos dos modelos.

O trabalho das gurias começou a fazer sucesso e hoje elas são conhecidas internacionalmente e fazem editais de moda e campanhas publicitárias para várias marcas famosas.

Quem quiser conhecer mais sobre a Kate e a Camila pode acessar o site www.kateandcamila.com, mas fique avisado: conteúdo adulto, fotos de nu bizarro. Divertidíssimo.

Eu gosto muito do bizarro na arte e na fotografia. O tradicional precisa ser quebrado, alguém tem que ter coragem de dar a cara a tapa. Isso essas gurias fazem muito bem. Mas apesar de gostar, achar engraçado e desafiador, tem muita coisa ali que eu não faria ou faria diferente. Normal, cada fotógrafo com o seu estilo.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Árvore genealógica fotográfica

Fazendo uma busca nada a ver no Goggle acabei achando o site Ancestry.com, que serve para fazer árvores genealógicas. O interessante dele é que funciona como um Orkut, mas tu pode fazer perfis pra ti e também para outras pessoas, e montar uma árvore com as conexões entre elas.

O bom é que tu vai acrescentando todo mundo a partir da tua senha, e para cada novo perfil tu pode mandar um email para convidar a pessoa para vir ver o que tu escreveu sobre ela, para editar essas informaçoes e acrescentar novas pessoas na mesma árvore.

Mas quem não quiser pode manter as informações sigilosas e guardar apenas como um registro pessoal, sem mostrar pra ninguém.

A vantagem de abrir para os outros verem é que o proprio site vai buscando ligações e trazendo parentes distantes de vários lugares do mundo para tentar conectar na tua árvore. Funciona mais nos EUA, pois usa como referência os bancos de dados dos censos realizados por lá até o ano de 1920.

E o mais legal é que dá para acrescentar fotos para o perfil de cada pessoa, para grupos de pessoas ou até para árvores inteiras, além de vídeos, arquivos de áudio e histórias em formato de texto. Eis uma maneira ótima de manter a história familiar viva e encontrar parentes interessantes.

E o mais interessante: eles fazem a tua árvore genealógica a partir do DNA! É só esfregar um cotonete na boca e mandar pra eles. A informação genética é então comparada com a que eles têm no banco de dados deles e tu recebe uma lista de parentes de sangue. Imagina que legal, principalmente para pessoas adotadas que têm curiosidade sobre o seu passado.

Claro que o banco de dados não deve ser nada muito gigante, mas a tendência é ir crescendo. Acho que a idéia pode pegar. O único problema é que essa (óbvio) e outras partes do site são pagas, e o preço não é muito barato para os padrões brasileiros.